VALE DO ANHANGABAÚ

2015

O Vale do Anhangabaú, é uma infraestrutura urbanística inserida em meio ao tecido histórico da área central da cidade de São Paulo, tendo se tornado um dos principais marcos da metrópole contemporânea.

Sobrepondo-se à ligação rodoviária Norte-Sul da cidade, configura-se hoje em uma grande laje, com conexões múltiplas com seu entorno, que facilita ao pedestre a sua transposição em diversas direções. Literalmente uma grande ponte entre o chamado Centro Velho – em seu triângulo histórico – e o Centro Novo, hoje essa região na escala da cidade configura-se no que identificamos de maneira abrangente como Centro. Essa visão de um único Centro desenvolve-se em função de alguns fatores; a própria escala que a metrópole adquiriu nos faz identificar uma região Central, em relação a outras regiões da cidade. Além disso, é indubitável que o Viaduto do Chá e o Viaduto Santa Ifigênia, cada um a seu tempo, foram determinantes para a conectividade do triângulo histórico à região sudoeste; o Vale, pode-se dizer, é mais uma infraestrutura que nos traz a noção de um Centro único.
Inserido em um contexto historicamente consolidado, de bens arquitetônicos do mais alto valor para a cidade, o Vale inevitavelmente acompanhou a degradação do Centro, não tanto por seu estado de conservação, mas sim por sua paulatina desatualização funcional ao longo do tempo. A degradação do Centro trouxe consigo uma queda no número de residentes nos bairros centrais, tendência essa que aparentemente tem sido revertida por diversas políticas públicas. Junto com a falta de residentes, estabeleceram-se ao longo do tempo grandes problemas sociais, residências de baixa qualidade, e moradores que por não terem outras opções financeiras, deslocam-se ao desvalorizado Centro. Muitas louváveis ações têm sido empreendidas, no entanto, veremos os resultados apenas em longo prazo. Entendemos que o Vale será parte importante do processo de estabelecimento de uma nova vitalidade contribuindo significativamente para a requalificação da região central como um todo. Trata-se uma operação estratégica – sua requalificação e reurbanização será sensível sob diversos pontos de vista:
– Geográfico: reconhecido historicamente como conexão do Centro Antigo com o Centro Novo, hoje pode ser compreendido como conexão possível entre a espraiada São Paulo contemporânea com sua própria história.
– Topográfico: fundo de vale, porém tendo capilaridade com seu entorno, é visível dos prédios ao seu redor, e também libera vistas para o corredor Norte-Sul.
– Funcional: os edifícios ao seu redor, apesar de originalmente ter o Vale como “os fundos” da cidade, podem de modo inovador receber intervenções que o tornem verdadeiras fachadas ativas, tendo o Vale papel articulador para essas verdadeiras frentes urbanas.
– Educativo: as futuras gerações poderão identificar no território do Vale uma possibilidade de inserir-se contemporaneamente em tecidos históricos, ou seja, um modo de conectar-se à história de sua própria cidade de modo sempre renovado.
– De sua escala: raro território de amplitude em uma área densamente ocupada como o é o Centro, é um momento de respiro para os pedestres.
– Histórico: seu resgate como área pública de uso extensivo reconecta a cidade contemporânea à sua trama histórica.
– Social: transformar positivamente o Vale de modo a atrair maior diversidade de pessoas, estabelecendo e estimulando a convivência de diversos tipos de pessoas em um mesmo território.
– Simbólico: sua renovação é capaz de transformá-lo no mais novo marco da cidade, demarcando a renovação do Centro como possível e acima de tudo, desejada por todos. O projeto, portanto, ao invés de demolir ou desqualificar o existente, concentrando-se apenas em seus pontos negativos, buscará a sua valorização, resgatando sua historicidade e adequação ao modo contemporâneo de uso, reinserindo-o na nova lógica funcional e tecnológica da cidade atual, cenário possivelmente inimaginável quando de sua constituição inicial.
Por MALUCELLI, Paulo.

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LOCALIZAÇÃO
São Paulo,SP

ÁREA
77.471,92m²

EQUIPE
Mario Biselli, Artur Katchborian, Ana Carolina Ferreira Mendes, Carla Gotardello, Cassia Lopes Moral, Camila Stump, Hugo Rossini, Fiona Platt, Maria Eduarda Furlan, Andre Biselli Sauaia, Fred Meyer, Alexandre Biselli, Marcos Bresser

ESTUDO PRELIMINAR
SP Urbanismo

CONSULTORIA
Gehl Architects

CONCEPÇÃO DE DESENVOLVIMENTO
Fernando Mello Franco, Gustavo Partezani Rodrigues, Luis Eduardo Surian Brettas, Patricia Lutz Vidigal, Eduardo Pompeo Martins, Cristiana Gonçalves Pereira Rodrigues, Cristina Tokie Sanomie Laiza, André de Paula Andreis, José Eduardo de Sousa Costa, Potiguara Mendes Ponciano

ANTEPROJETO E PROJETO BÁSICO
PJJ Malucelli Arquitetura

COORENAÇÃO E COMPATIBILIZAÇÃO
Paulo José Malucelli, João José Malucelli, Luciana Sans Menezes, Anderson Keiti Abe

FOTOS E RENDERS
BK

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