A ARQUITETURA QUE FALA DA ENGENHARIA
A Engenharia brasileira de estruturas ostenta uma história de feitos notáveis e personagens de gênio. São marcantes nas paisagens pelo Brasil de pontes, torres e arquiteturas profundamente inspiradoras que foram possíveis pela notável habilidade e capacidade de inovação, traço distintivo de uma longa lista de grandes engenheiros, como Joaquim Cardoso, Augusto Carlos Vasconcelos, Valter Pfeil e tantos outros.
Considerando esta história, o projeto para a sede do CREA – conselho que representa a classe dos engenheiros – deve expressar-se através da citada capacidade de nossa engenharia. Assim, a estrutura do edifício se expõe à imediata visualização, é um exoesqueleto. Está projetada para vãos livres generosos e balanços nas extremidades, produzindo um efeito de grande leveza.
Estratégias de Projeto – As características atuais do bairro da Barra Funda estão profundamente ligadas à história ferroviária da cidade: grandes glebas resultantes de parcelamentos do solo então convenientes à indústria da cidade, que aos poucos se transformou e migrou para outras regiões da região metropolitana. O resultado disso é um bairro que aos poucos revê seus padrões de ocupação, parcelando glebas, e estabelecendo desenhos de espaços públicos para uma área de pouca urbanidade.
Do ponto de vista da legislação e normativas, consideramos o terreno total de 10.393,32m² para os parâmetros de CA, TO, permeabilidade e recuos, porém, em atendimento ao edital, a edificação em si ocupa apenas o lote de 5.500m². O terreno não utilizado se transforma em praça e área drenante enquanto seu destino não é definido (preservando-se os galpões existentes ao fundo). A praça na esquina soma-se à esplanada de entrada para construir uma urbanidade excelente para o lugar, notavelmente marcado pela falta de espaços públicos.
O térreo da edificação encontra-se 1m acima do meio fio, com acessibilidade provida através de generosa rampa. Tal partido foi definido em função das conhecidas questões de drenagem do bairro como um todo, dada sua condição de várzea.
A elevação em relação à cota da rua também é bem-vinda do ponto de vista institucional, ao garantir grande visibilidade para os volumes em primeiro plano da edificação, os quais tem maior acesso público e representam a instituição: Auditório e CREA LAB, fachadas que contribuem para ativação ao nível da rua. Ainda no térreo, pavimento de chegada, propomos a sala de reunião de maior porte e as salas de reunião menores articuladas com o auditório compartilhando o generoso Foyer. Também está garantida a circulação vertical de visitantes do subsolo ao térreo antes da recepção e acesso aos elevadores da torre. Credenciados podem acessar os elevadores da torre a partir do subsolo contando com hall exclusivo.
As áreas dedicadas à MUTUA e ao CONFEA ocupam o mezanino. O programa das superintendências distribui-se nos andares-tipo de lajes corporativas, liberando térreo e mezanino preponderantemente para as atividades coletivas e que possam contar com público externo.
Para a distribuição da população, priorizamos o atendimento ao número de pessoas solicitado, e o espaço demandado por pessoa. Em paralelo, respeitando o gabarito estabelecido de 28 metros, optamos por pisos a pisos mais generosos, de 3,80m, visando melhor distribuição das instalações e maior conforto nos ambientes de trabalho. Com isto chegamos à configuração das 574 pessoas solicitadas distribuídas da seguinte forma no edifício: 63 pessoas por laje corporativa, totalizando 315 pessoas, mais 259 pessoas distribuídas entre mezanino e térreo.
LOCALIZAÇÃO
São Paulo, SP-Brasil
ÁREA
17.500,00m²
EQUIPE
Mario Biselli, Artur Katchborian, Ana Mendes, Lucas Reis, Giuliano Chimentão, Alexandre Biselli, Isabela Moura, Vinicius Faria, Luiza Gaspar, Heloísa Fos, Guilherme Palladini, Pedro Mosso
CONSULTORIA TÉCNICA ORÇAMENTISTA
Gabriel Biselli
ESTRUTURAS
EDATEC
RENDERS
BK